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21 de novembro de 2011

Soledade

Sei-me forjado de uma outra liga
De um aço feito solitário
Formei-me numa multiplicação por zero

O único ser que habita uma rua chuvosa
A única conversa num fio de fumo
É a minha mordida no filtro
Que te espanta e que amas

Ris-te como quem magoa
Com um silvo de faca errante
Brilhas ao aquém do infinito

Geme o vento, alucinado em drogas
Uiva o meu corpo em mágoas
E esta linha de pensamento
Que me assombra e corrompe
Jura-me que um dia morre

E diz-me, ludibriante:
- São todas tuas putas,
Mas as velhacas vêm-se
Lambendo-te as feridas
Esmagando as delas
Contra as saias

Fico enfezado sentado no chão
A chupar o veneno às soldaduras
Chapa mole em capas duras
Reza que far-me-ei homem
Louca, frígida, bela
Conjura que amarei mulher
Sóbrio, sozinho, confuso

24 de agosto de 2011

Brilhantina


Cabelo reluzente de brilhantina
Liberto-me casa com um andar
Como se o cérebro estivesse a segregar
Um ácido com demasiada estricnina

Todo eu sou estranheza
Mas um tipo de defeito vulgar
Dando de caras com uma pobreza
De vontades, de gostos e de amar

Escondido por baixo do pompadour
Murmurando a chanson du jour
Espreito através dos óculos
Mandando às meninas ósculos

Faço-o por falta de latim
Ou para ser uma bizarra peça
Que vontade de falar não há em mim
Quando realmente me interessa

Pavoneio uma falsa confiança
Talvez pelo facto de usar laca
Ou por ter a esperança
De me poder defender à faca

E lidar com as mudanças de humor
Desta condição de bipolar by proxy
Experimento ser eu com ardor
Mas mando tiradas como “God, you’re foxy”

Cliché, meu bem, nada mais
Não há em mim um pedaço original
Caio na sarjeta com os demais
Os meio-artistas deste mundo animal

Não me olhes em desdém
O meu final dramático já ali vem
Hei-de arder em burrice
E nada de funerais, já disse

Lágrimas Sonoras