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6 de fevereiro de 2012

Dias

Há dias que quero separar-me dos meus olhos
Desligar-me das mãos e deixar de ouvir
Há dias em que quero arrancar a virilidade
E dias em que mais valia engolir a língua
Pois nada me vale para ser corajoso
Ou bravo o suficiente para rasgar amor
Do tecido da fragilidade feminina
Se não te doem os poemas
Que cobardemente te insinuo
Não tenho forma alguma de te mostrar
O pequeno ser que habita esta grande tenda de circo
Que eu maquilho com laivos de malvadez
Desejo por dias a fim que me venhas ver
Aqui sentado, diminuto e a tremer
Que me beijes e digas que de mim precisas
E vês-me crescer, a abraçar-te e por ti morrer
Mas até lá brinco com palavras
Com desejos e com estúpidas inseguranças
Que me separam dos olhos,
Que me desligam das mãos e me fazem deixar de ouvir
Que me arrancam a virilidade
E que me engolem a língua
Sou um homem apaixonado pelo seu próprio medo
Um escombro do apogeu de um amante
A quem Deus não escuta e os anjos renegaram
Que seu grande pecado foi não dar graças
Pela loucura servida a ferros num prato de drogas
E que o amor desdenha da minha existência
Se um dia me perceberes, peço-te que mo digas
Que me arranques lágrimas da cara porque
Há dias em que sei que aquilo que sinto
Não cabe no espectro de mais ninguém
E há dias em que estou farto de viver assim

5 de janeiro de 2012

Terras Baldias

O que é a minha vida senão
A mais contínua repetição
Do erro de não me saber
Encontrar, de não querer
Assentar mas de o desejar
De simplesmente ignorar
Quem sou por quem és
De jurar com força a pés
Juntos que solução és tu
Com que força me mordo
Com raiva que me transbordo
Para conseguir rasgar um sorriso
Desta ridícula posição friso
Que nunca serei eu
A quem chamarás de teu
Abraço isto como a espinhos
De sentimentos fazes brinquedinhos
E até ao final dos meus dias
Dentro de mim, terras baldias

21 de novembro de 2011

Soledade

Sei-me forjado de uma outra liga
De um aço feito solitário
Formei-me numa multiplicação por zero

O único ser que habita uma rua chuvosa
A única conversa num fio de fumo
É a minha mordida no filtro
Que te espanta e que amas

Ris-te como quem magoa
Com um silvo de faca errante
Brilhas ao aquém do infinito

Geme o vento, alucinado em drogas
Uiva o meu corpo em mágoas
E esta linha de pensamento
Que me assombra e corrompe
Jura-me que um dia morre

E diz-me, ludibriante:
- São todas tuas putas,
Mas as velhacas vêm-se
Lambendo-te as feridas
Esmagando as delas
Contra as saias

Fico enfezado sentado no chão
A chupar o veneno às soldaduras
Chapa mole em capas duras
Reza que far-me-ei homem
Louca, frígida, bela
Conjura que amarei mulher
Sóbrio, sozinho, confuso

Lágrimas Sonoras